Me chamo Monica Pimenta, iniciei o trabalho de consciência corporal em 1987, com formação na Escola Angel Vianna. Em 2001 fui  bailarina residente do Atelier Coreográfico com direção de Regina Miranda, tive oportunidade de conhecer pela primeira vez  a técnica Oriental Fusion Dance com Patrícia Passo.  Gravei na memória do meu corpo essa vivência forte ao mesmo tempo delicada, feminina,  encantadora. Fui caminhando desde 1987 a 2005 nos conhecimentos para aprofundar a consciência corporal, com formação em Terapia e Recuperação Motora através do Movimento junto a Licenciatura em Dança na Faculdade Angel Vianna. Em 2005 entrei na área da saúde com a pós em Geriatria e Gerontologia na UERJ. Em 2012 nos reencontramos nos corredores da dança matando as saudades, aproveitei a oportunidade desse momento para  voltar as vivências com Patrícia, com as batidas dos tambores fazendo meu corpo acordar para movimentos sutis, profundos, encantadores ao mesmo tempo misterioso para minhas articulações, músculos e vísceras. Um grande namoro se dava a cada tentativa de fazer entender por onde passam esses movimentos com pequenos detalhes que fazem diferença numa dança tão forte, delicada e completamente feminina.

Na evolução do tempo onde tudo é movimento, volto aqui para recordar o feminino que bateu em minha porta desde 2004 com a linguagem da Dança Contemporânea em Cias com trabalhos voltados para dança teatro. Em 2014 o contato com as aulas com Patrícia no seu estúdio ganharam um ritmo constante, o corpo ganhou novas formas, descobri outras possibilidades de fazer o corpo mover. Chegando próximo ao fim do ano fui convidada para participar do espetáculo no Teatro Angel Vianna, no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, referente à formação em Dança Étnica-Contemporânea, mergulhei três dias direto no encontro com as alunas bailarinas para fazer novas organizações da estrutura óssea e muscular, aprender movimentos coreográficos. Abriram-se as portas para um novo mergulho junto à Patricia.

Em janeiro de 2015, mergulhei na formação em Dançaterapia aprofundando os conhecimentos terapêuticos dessa técnica aplicada em qualquer corpo, técnica esta absurdamente organizadora de todas as articulações do corpo trazendo conforto e bem-estar, mudanças cotidianas na forma de refletir, observar e dialogar com a vida e o mundo.  Aos  poucos foi nascendo uma nova terra onde meus pés começaram a ganhar mais contato com o solo fértil. Meus ossos passaram a dialogar e negociar outras direções que foram delicadamente mudando meu estado emocional, descobri canais energéticos que me colocaram cada vez mais inteira, presente como bailarina em cena no palco, como terapeuta do movimento, na vida pessoal e espiritual.

Leituras variadas e apresentação de mantras dançados junto as práticas durante os encontros mensais  promoveram  muitas mudanças nas observações e reflexões sobre uma cultura diferenciada entre Ocidente e Oriente.  Como bailarina melhorei a organização do meu corpo podendo passear em qualquer técnica sem perder a dimensão dos ensinamentos na  especialização na técnica Fusion Oriental.

Em novembro de 2015 entrei com meu solo Território Mulher no primeiro Festival Internacional de Artes Cênicas no Teatro Tom Jobim. Minha primeira vez dançando esse solo dentro do teatro para mulheres de vários países, até então dançava em espaços mais acolhedores, convidada por amigos. Pela primeira vez senti um chamado para encontrar esse mantra ensinado por Patricia, Kaly Durga me preparando para entrar em cena muito rápido, sem tempo para aquecer qualquer estado de presença e articulação.  Foi a vivência mais incrível que pude experenciar e pela qual sempre temia. Pensar em levar esse solo tão delicado, para um lugar mais quadrado e frio de um palco dentro da minha proposta Território Feminino, onde o estado de presença é fundamental e estar inteira ainda me assustava. Ali foi meu encontro com esse mantra dançado como aquecimento do corpo interno e da alma.

Performance Território Mulher

Performance Território Mulher | Primeiro Festival na Cidade do Rio de Janeiro inteiramente dedicado à produção teatral femininao o ‘Multicidade – Festival Internacional de Mulheres nas Artes Cênicas’, que em sua primeira edição recebe mais de 50 artistas mulheres de 10 países da Europa, América Latina e Oceania, 31 de Outubro a 7 de Novembro de 2015, no Espaço Tom Jobim.

Aqui ficam algumas das práticas vivenciadas que me deixaram muito curiosa:

Percebi que minha musculatura era trabalhada no andehor para a dança clássica, e a relação com o paralelo no contemporâneo era para dar iniciação aos movimentos como exercícios. Pude aprofundar com essa técnica uma nova estruturação no meu corpo com o paralelo. Percebi que podia abrir outros níveis de percepção ao ativar minhas bases distribuindo os apoios entre os dedos e calcanhar, sentindo a possibilidade de abertura em alguns canais. Que misterioso se tornava esse trabalho a cada encontro! Que canais são esses exatamente?

Chego a minha região lombar, alguns desconfortos constantes pareciam querer se alojar em meu sacro. Pude perceber que estava descobrindo em cada encontro com essa técnica algo que não sabia muito bem, mas que me liberava a dor no sacro. Comecei a investigar como meu corpo estava adormecido naquela região, onde até então estava fora do eixo e com pouco estímulo de movimentos, principalmente os ondulatórios e vibratórios da técnica Oriental Fusion Dance. Mais uma vez comecei a perceber a possibilidade de levar essa prática para o cotidiano. Não é que a dor foi embora!! Fui ficando cada vez mais curiosa para me aprofundar nesse trabalho com Patricia.

Mais uma observação surge aguçando meus extintos. Sempre ouvi falar dos canais energéticos, mas sentir essas aberturas com a técnica vivenciada na dança foi a primeira vez. Como poderia esses movimentos causar no meu corpo essa abertura? Será que as dores na região lombar foram embora pelo estímulo dos tais canais? Muito curioso! Cada vez mais fui ficando movida por essa transformação e querendo conhecer mais a fundo. O que seria esse fluxo que passa como um rio nas laterais do meu ventre?

A relação do Oriente e Ocidente, o misticismo, a relação com a Índia e essa bagagem ritualística que para nós ocidentais fica parecendo algo muito distante de se vivenciar ou a necessidade de querer racionalizar para buscar um sentido. Foi no corpo que pude comprovar essa fisicalidade tão forte, que aí sim, você consegue a partir da vivência descrever algo como consequência e não algo teórico, mental não vivenciado.

Trago aqui o exemplo do mantra Om Shanti Om como prática dançada. Não sabia o significado, a princípio, sobre o que queria dizer Om Shanti Om, vi depois que evoca a Paz. O melhor disso foi praticar esse mantra dançado e com isso  ficar cada vez mais intrigada. Como é que podia sentir minha alma acalmada e livre, após a prática de qualquer preocupação ou pertubação que viesse bater a minha porta? Nao é que funciona isso mesmo! Que conhecimento milenar é esse que provoca essa sensação de paz depois de você realizar uma prática simples, fácil de fazer, uma dança que une movimentos com um mantra. Incrível!

Festival Multicidade by Renato Velasco

Festival Multicidade by Renato Velasco